Praticante do futebol moleque: habilidoso, driblador, alegre e com um controle sensacional, o jogador chegou a disputar a Copa América de 1975 pela Seleção Brasileira e vivia um momento ímpar na sua carreira entre fins de 1975 e início de 1976. Fez sete jogos pela Seleção Brasileira.
O assoviador de Barão de Cocais.
Em campo, não demorou muito para Geraldo conquistar os companheiros e a torcida. Campeão carioca em 1974 e convocado para a Seleção em 1976, era uma das promessas do país para a Copa do Mundo de 1978. Ficou marcado pela elegância como jogava, com a cabeça em pé. Mas ficou mesmo identificado pelo apelido curioso: "Geraldo Assoviador".
- Ele vivia assoviando, não só no campo, mas o dia inteiro. Assoviava músicas que gostava, principalmente "Your song" (do cantor Elton John, interpretada por Billy Paul) - lembrou Zico.
Anos 70: cabelos black power, música disco...
Se a década de 70 ficou marcada pelas roupas extravagantes, cabelos black power e discotecas, jogadores de futebol talentosos e contestadores marcavam posição. Ofensivo, irreverente, polêmico e indisciplinado. Essas são algumas das características que definiram Geraldo dentro e fora das quatro linhas. Paulo César Caju e Afonsinho faziam parte do elenco rubro-negro na época e fizeram amizade com o mineiro, que também conheceu um vizinho cantor, ainda desconhecido: Raimundo Fagner.
- O Geraldo era muito alegre, cheio de vida. Ele era reserva do Afonso, que era nosso paizão no prédio. Um dia o Geraldo barrou o Afonso e virou titular no Flamengo. Aí o Baianinho, que morava com o Afonso e jogou no Vasco, chegou no nosso apartamento e disse que o Geraldo estava chorando e queria parar de jogar porque barrou o amigo. Fomos todos para lá e injetamos ânimo nele. Isso é para você ver o caráter dele - recordou Fagner
Cirurgia simples que terminou em morte
Em 1976, o departamento médico do Flamengo indicou que Geraldo precisava operar as amígdalas por conta de uma inflamação crônica na garganta, considerada comum naquele tempo. A mãe do jogador revela que ele não estava disposto a fazer a cirurgia:
- Quinze dias antes, o Geraldo falou comigo: 'Ô, mãe. Eles querem que eu opere, mas eu não vou operar. Tenho muito medo' - revelou dona Nilza.
No dia 25 de agosto, o meia foi internado na clínica Rio Cor, em Ipanema, mas a cirurgia não foi realizada. Segundo o jornal "O Globo", Hélio Maurício, presidente do Flamengo na época e médico da clínica, não divulgou nenhum comunicado sobre a operação. No dia seguinte, Geraldo foi internado às 7h para ser operado pelo médico otorrinolaringologista Wilson Junqueira, que aplicou a anestesia local.
Vinte minutos após a cirurgia, Geraldo começou a se sentir mal e seu coração parou. A equipe médica tentou reanimá-lo, mas às10h30m Geraldo morreu vítima de um choque anafilático causado pela anestesia. Ele tinha apenas 22 anos.
Manchete de jornal com a notícia da morte deGeraldo
- Parei o carro na porta da minha casa e minha mulher estava desesperada. Eu sem saber de nada e minha mulher disse: 'Estão falando que o Geraldo morreu.' E aconteceu. Como dizem, em mil aconteceu com um e infelizmente foi conosco - contou Lincoln, irmão de Geraldo.
Com a morte do jogador, a suspeita de erro médico foi levantada. O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) abriu uma sindicância interna para investigar o caso. Os médicos Wilson Junqueira, hoje já falecido, e Célio Cotecchia (do Flamengo) foram absolvidos. Procurado pela reportagem do "Esporte Espetacular", o Cremerj informou não possuir mais os registros da sindicância.
Emoção e homenagens
O velório do jogador foi realizado na sede do Flamengo e mobilizou jogadores, amigos e familiares. Craque do rival Fluminense e integrante da "Máquina Tricolor" da década de 70, Carlos Alberto Pintinho era o melhor amigo de Geraldo fora de campo. Depois de 35 anos, Pintinho revelou que a perda do amigo o fez deixar o Brasil:
- O relacionamento que nós tínhamos era muito forte. Então, com a perda dele, eu quis ir embora - disse o ex-jogador, antes de interromper a entrevista emocionado. Hoje, Pintinho mora na Espanha.
Em homenagem ao jogador, um amistoso foi organizado no Maracanã: Flamengo contra a Seleção Brasileira. De um lado, Zico. Do outro, Pelé e Rivelino. Na tribuna de honra, o presidente Ernesto Geisel. O Rubro-Negro venceu a partida por 2 a 0, e a renda foi doada à família de Geraldo.
Trinta e cinco anos mais tarde, os amigos Paulo César Caju, Afonsinho, Zico, Pintinho e Fagner, a mãe dona Nilza e o irmão Lincoln ainda se emocionam ao lembrar do menino assoviador.
Curiosidades
- O apelido de Geraldo Assoviador foi dado em virtude da excêntrica mania que o jogador tinha de assoviar dentro de campo enquanto realizava jogadas inusitadas.
- O atleta, em seu auge, foi por diversas vezes comparado por cronistas esportivos da época com o rei do futebol: Pelé.
- A amizade de Geraldo com Zico era tão forte que, além de freqüentar constantemente a casa da família Antunes, em Quintino, ele era considerado um filho postiço de Seu Antunes e Dona Matilde. “É meu filho marronzinho”, costumava dizer o patriarca da família.
- Não era para Geraldo ter feito a cirurgia no dia 26 de agosto. Na verdade, o jogador, que tinha muito medo de ser operado, deveria ter retirado as amídalas no mesmo dia em que Zico corrigiu um desvio de septo. Mas Geraldo não apareceu no dia e apenas Zico fez a cirurgia na data prevista.
- Zico participou de dois amistosos em memória a Geraldo. O primeiro, no dia 6 de outubro (Flamengo 2 x 0 Seleção Brasileira), serviu para arrecadar fundos para a família do jogador, que vivia em Barão de Cocais. A segunda, em 1995, foi entre os másteres do Flamengo e de Minas Gerais, em Barão de Cocais (o Flamengo perdeu por 2 x 1 e Zico fez o gol), para possibilitar a construção do mausoléu para Geraldo.

muito bom essa materia : D
ResponderExcluir